A transformação de menina para
mulher vai muito além da faixa etária e da forma física, pois é uma evolução
espiritual, é um processo de amadurecimento e uma questão de atitude e
comportamento.
Para ser mulher de verdade é
preciso em primeiro lugar ter maturidade e serenidade perante a vida, pois para
esta mulher os príncipes encantados e
status não tem mais sentido, ela busca um parceiro para dividir seus dias.
Bem lembrado caro leitor, eu
estou falado de mulher, e uma mulher busca um homem e não um menino. Quem cuida
de criança é mãe e não parceira. Este homem deve encantá-la, cuidá-la,
desejá-la, fazer dela uma verdadeira fêmea em seus braços e sua parceira pela
vida.
Numa relação entre homem e
mulher o elogio, o cuidado, o diálogo, a parceria, o desejo,a vontade de estar
junto e a crença na relação devem ser elementos de ordem para que esta se
construa de maneira sólida e dure o tempo que precisar.Para isso, será preciso
ser maduro , ser homem , ser mulher ,ter segurança.Relacionamento, namoro,
casamento não são para meninos e meninas.
A impulsividade e a insegurança
típica da juventude faz com percam tempo em discussões bobas, implicâncias sem
fundamentos e relações falidas. Erros cometidos na juventude devem servir de
aprendizagem para o processo de amadurecer, no entanto, se corações partidos e
erros não nos tornarem mais fortes,
significa que por mais idade que tivermos ainda seremos crianças pois
teimamos persistir nos mesmos erros.
Para uma mulher o belo, o perfeito e ilusório
não lhe satisfazem, mas o imperfeito, o real e o macho serão seus melhores
parceiros, pois ela já se conhece e sabe
que quer, pois com os erros da juventude aprendeu a dar valor naquele
homem tímido, no bom homem e hoje o canalha lhe causa náuseas.Frases clichês e
mais do mesmo não lhe convence, ela quer conhecer a essência do homem que a
escolher , aprender a admirá-lo e
conviver com seus defeitos.Esse homem deve surpreendê-la com a sua verdadeira
personalidade sem medo de ser feliz.
Uma mulher já mandou embora a
vergonha do corpo nu, já sabe o que dá prazer, sabe ser sedutora até mesmo
quando veste a camiseta do namorado após fazer amor com ele, como quem diz: eu
sou tua. Tem atitude e bom senso dentro e fora de quatro paredes, pede o que
deseja e ouve o outro, não implica com as pequenas manias dos homens ou muito
menos vive a reclamar deles para as amigas. Aquilo que lhe incomoda discute com
o parceiro e tudo se ajeita, ri das manias loucas dele, pois reclamar leva
tempo.Esse tempo pode ser usado em outras coisas como exemplo mais minutos
dormindo de conchinha, mais elogios e sacanagens ao pé do ouvido, mais horas de
desejo.Ela não tem tempo para ser ciumenta e muitos menos vive espreitando seu
parceiro para descobrir se a trai, ser feliz lhe toma mais tempo.
Tornar-se mulher para algumas
pessoas é algo natural que vem com a maturidade, o sexo, a vivência, parou
outras é preciso um rito de passagem, uma marca, um momento epifânico.Para a personagem de hoje, Ana, foi o batom
vermelho.
Antes de contar essa história,
vou falar de Ana: 1,60m de altura, 50 kg , cabelos castanhos compridos, olhar
perdido, cor branca, sem curvas e vestia-se sem atrativo algum, aliás caro
leitor, alguém sem sal e sem açúcar, sem vida, não despertava desejo em ninguém,
acho nem nela mesma, olhar-se no espelho como mulher , nunca tinha feito.
Ana, no auge de seus 30 anos, andava
chateada, pois ansiavam ter um namorado como todo mundo, seus 5 anos de terapia
nada tinha mudado sua relação com os homens, sentia-se insegura e cada vez mais
carente e não sabia o real motivo que eles sempre a deixavam , ela sempre fazia
tudo direitinho o que as revistam mandavam.
Caro leitor, o que havia de
errado com Ana? Embora fosse adulta, ainda se portava como uma menina carente e
que precisa de um pai e não de um parceiro, e faltava lhe atitude e saber quem
realmente era e o que desejava , faltava amar-se a si mesma. Aliás, faltava
muito para ser mulher.
Numa certa manha nublada de
maio, Ana passava em frente a uma loja
de cosméticos e inexplicavelmente sentiu-se atraída por um batom
vermelho de tom forte que viu na vitrine, permitiu-se entrar na loja e
experimentar, ao pegá-lo em suas mãos um turbilhão de dúvidas passavam pela sua
cabeça.
Será que vai combinar? Não
combina comigo? Será?Será que vou ficar com cara de puta?
Fechou os olhos, respirou fundo
, e passou lentamente o batom pelos finos lábios, roçou um lábio no outro para espalhar a
cor.Olhou-se no espelho e viu uma outra
mulher não era Ana, era alguém de personalidade forte e sensualidade.Ana não se
reconhecia nesse espelho, ajeitou o cabelo, sentiu-se poderosa, fez biquinho e
ria-se de si mesma na loja.
Aquele momento, foi o seu
despertar para a feminilidade, sentiu vontade de usar salto, roupa mais
sensuais, ter um espartilho,fazer dança do ventre , ser diferente.Pediu a
vendedora alguns produtos para maquiagem e se inscreveu num curso de maquiagem,
aprendeu muito e passou a ser maquiar mais , o batom vermelho lhe fez sentir
mais mulher e mais confiante.Jogou fora todas as revistinhas de comportamento,
dispensou o analista, inscreveu-se num curso de fotografia e largou o emprego e
resolveu fazer um mochilão pelo mundo
com as suas economias. Vendeu tudo que tinha, largou família e sumiu no mundo,
queria deixar aquela vida velha para trás , queria vida nova, queria uma mulher
nova.Arrumou as malas e pegou uma lata de lixo e disse:
-Aqui eu vou colocar todo meu
medo, minha insegurança e minha covardia no lixo, na mala só vai a minha fé que
tudo dará certo e algumas roupas.
Embora isso soasse loucura ,
para Ana era uma aventura para o desconhecido, e uma oportunidade única que lhe
daria, pois pela primeira vez teve coragem de fazer o que realmente quis, ser
feliz pensando nela mesma.Cuidou da sua felicidade, despojou-se de
preconceitos, aprendeu e se encantou com o ser humano.Conheceu gente e ofereceu
ao mundo seu trabalho.Ao retornar ao país montou uma exposição intitulada “ O
mundo aos meus olhos” que trazia muito de Ana Luísa , pois não era mais Ana do
escritório, a nana da Irmã caçula e nem a Aninha do avô.Era a Ana Luísa fotografa
dos contrastes, das paixões, suas fotos já renderam prêmios Pulitzer , seu
olhar sobre o mundo era intenso, duro, polido e político tudo ao mesmo tempo um
turbilhão , um furação.
Suas andanças pelo o mundo a fizeram
mais ouvinte, colecionou histórias e experiências, aprendeu com as espanholas a
ser forte, com as mulçumanas a ser sensual, com as indianas a ver o sexo como
uma união espiritual de homem e mulher, com as japonesas a ser discreta, com as
francesas a ser elegante, com as africanas a ser alegre apesar da diversidade. Ana
Luísa era uma soma de mulheres agora e a fazia uma pessoa muito melhor.
Perdeu a vergonha do próprio corpo,
tornou-se mais segura e madura e pode desfrutar do melhor que a relação homem
mulher pode oferecer, permitiu- sexo casual, amores sem futuro, parcerias
verdadeiras e paixões fulminantes. Acumulou experiências verdadeiras, agora era
uma mulher de verdade, completa, inteira.
Ana Luísa estava muito feliz com
o impacto de sua exposição e ao bebericar uma taça de champanhe refletia sobre
sua conquista, e ria tudo isso foi motivado por um batom vermelho, quem diria. Se
algum vidente me contasse sobre qual seria meu destino naquela época e dissesse
que eu me transformaria radicalmente, certamente não acreditaria. Mas eu me fiz
alguém bem melhor do que era. Bendito batom vermelho, feliz ousadia, e perfeita
escolha.

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