Soa um tanto risível, mas fui eu a colocar o último tijolo de seu sepultamento, fui eu a dar o último adeus que tanto relutei em não dar. Cá estou eu pela ultima vez aqui, responsável por apagar a luz e fechar a porta e dizer adeus , pois tudo e todos já se foram.
As coisas são assim: Maktub( já estava escrito), vivi o luto como eu pude, cada lágrima verdadeira que fora derramada, foi a minha forma de expurgar algo tão sentido, doído e magoado, mas capaz de me fazer aceitar o futuro inexorável e entender que o passado feliz agora inerte e só me restaram as lembranças.
Eu que não quis aceitar teu enterro, ou, o fim de parte da minha vida história sob teu teto , tive que muitas vezes ruminar a dor do adeus,e digo mais ,o último adeus será mais fácil do que os outros ensaiados tantas vezes.O nosso cheiro já se foi , o teu cheiro não é mesmo, mas sempre sentirei a falta da humilde residência da Inocência 757 ou da Senador 558, da casinha de madeira que é fresca no verão e quentinha no inverno e que foi construída com muito esmero.
Perdão aos escritores de profissão, mas tomei a liberdade de parafrasear o poetinha, com minhas rimas tortas e sem métrica, mas a casa precisava de um epitáfio.
ERA UMA CASA MUITO ENGRAÇADA
NÃO TINHA DINHEIRO, MAS TINHA AMOR
TINHA ALEGRIA E PALHAÇADA
NINGUÉM PODIA FALAR DELA NÃO
POR QUE O BANDO TREMIA O CHÃO
ERA FEITA DE LUTA
POR UM GENTE MUITO BATUTA
MAS UM DIA TIVEMOS QUE IR
E CASA FICOU ALI.