sábado, 2 de fevereiro de 2013

Não abra a minha caixa de pandora



Todo mundo conheceu um cara que se acha, que fala pelos cotovelos, implicante e que adora incomodar os amigos e os inimigos.Por esta razão que existem dois tipos de pessoas que convivem com ele: os amigos que dão a vida e uma boiada para brigar por ele  e por isso são poucos e a grande maioria que não o suporta.Esse cara era Francisco  tinha por esporte irritar Clara.

No entanto, por trás dessa carapaça , desse casca de ferida , há um ser humano bem legal,mas ele tem um defeito: como é abusado e folgado adora fazer uma troça, uma boa broma.Com esse abusamento todo que foi entrando na vida Clara  ,e ai ,não teve mais sossego, os dias de paz acabaram. Ele não sabe o significado da palavra não , ou melhor ele nunca respeitou o não dela .Ainda bem.

Francisco era  um canalha, um canalha de Carpinejar, não um canalha qualquer , pois  não era desonesto , era apenas    canalha para acentuar a violência do amor. Canalha por opção. Um elogio para dizer que é impossível domesticar esse homem, é impossível conter, é impossível fugir dele. Canalha como pós-graduação do "sem-vergonha".

Clara adorava esse canalha , não sabia bem porque ,pois ele nunca fora o cara que quisesse chamar de seu , eles eram opostos que se atraíam, se distraíam e se destratavam, a todo tempo estavam brigando, ele sempre  a importunando na frente dos outros, mas a sós ele era incrivelmente incrível , era cavalheiro, fazia jantares para ela , comprava presente sem ser data especial, mandava poema a fazia feliz.E quando ela tentava ir embora por uma mal criação dele, ele a trazia sempre para perto com mensagens carinhosas de bom dia. Ela era a sua flor de lis.Clara não conseguia dizer não a ele. Que merda, pensava ela.

Clara era sonhadora, romântica, conservadora, queria casar , ter filhos , casa arrumada  com jardim e um vaso de flores sobre a mesa, um marido carinhoso que a cobrisse de elogios e beijos. Francisco era livre , tinha horror a pegação no pé, compromisso fechado, monotonia.Era tão opostos: ela caseira, quieta, doce; ele amante da rua , falante e ácido. Eram o sol e a lua .E agora uma pergunta paira no ar?

Por que eles ficam? Boa pergunta, o amor não são dos iguais , mas dos corajosos  que tentar abraçar porcos espinhos a todo  instante. Renato Russo já dizia: Quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração.O blogueiro Ricardo Coiro afirma que a última palavra é dita pela paixão. Não existe explicação para o sentimento de Clara e Francisco.Acreditem eles são bem mais complexo que Eduardo e Mônica de Renato Russo.

Mas fazer o que? Francisco gostava do jeito generoso de Clara de cuidar do outro, esta por sua vez gostava do som da voz dele , de como ele explicava trigonometria apenas com um pires, das suas mãos quentes.Clara odiava quando ele botava o dedo nas feridas dela e questionava suas posições e Francisco não gostava dos não me toque dela , mas no fundo eles se entendem. Pareciam dois gatos que vivem aqui na rua: ela bem tratada e de família, um bibelô , tratada a pão de ló, ele um gato preto vira-lata  criado pelo mundo , sem dono e destino  que se amavam do jeito deles , eram tão bonitinho vê-los juntos que é até cômico.

Ele deitava ao lado da gata e a observava fazia carinho , mas era por pouco tempo , dali a pouco ele mordia suas orelhas a cutucava e ficava brava mordia ele e saiam correndo brigando , mas não se largavam. Pode-se perguntar, ela poderia estar no cio e ele a cortejando , mas não era, a gatinha era castrada , era amor mesmo.

Francisco e Clara só se entendia mesmo na madrugada, na cama  era algo que realmente se encaixavam, ele conseguia excitá-la com beijos em segundos , adorava a pegada dele, seu  jeito abusado que não estava nem ai pra nada , pegava com força , quanto mais ela reclamava que doía   as suas mordidas mais ele gostava.Quanto mais ela dizia não para ele , mas excitado ficava.Nesse arreliamento todo , Francisco abria a caixa de pandora, trouxe a tona não a Clara da Família, mas a Clara devassa, a Clara que gosta de palavrão , a vadia , a safada que gosta de tapa, adora uma boa sacanagem e em quantidade , uma Clara ousada.

A linguagem falada pelo dois  era lúxuria , no restante, pareciam gregos e turcos, católicos e mulçumanos tentando chegar num denominador comum. A Clara de hoje , nada se parecia com a Clara de ontem cheia de medo  e tabus , a Clara menina.Francisco com sua acidez foi incutindo em Clara a mudança , Francisco queria por para fora a Clara que ele via , uma mulher cheia de desejo , uma mulher linda , não a Clara sem auto estima que se apresentava ali.Pois bem ele conseguiu. A cada dia Clara , trazia uma sacanagem nova, pois sabia que ele aceitaria a Clara briguenta, reclamona, megera e muito devassa sempre cheia de charme e com vontade de gozar.

Francisco, muitas vezes, cansado depois de varias horas de sexo desejava dormir, e Clara ainda queria mais , quando ele reclamava , ela sempre lhe dizia , não mandei abria a caixa de pandora , eu tinha aprisionado essa Clara, não mandei soltar e ria gostosamente.
Abrir a caixa de pandora não é o problema,mas saber quem segurará a loba, e que loba ! e Francisco disse : você não vale nada , sua safada. E tudo começava de novo.