Nova Andradina, 18 de setembro de 2011.
À VIVI
Hoje estou me deparando com uma tarefa muito difícil, pois
me cabe falar de você, no entanto falar de outros é muito simples. Mas eu não
vou falar de você, todavia vou falar de mim e da experiência de apadrinhar
alguém, que você me proporcionou. Eu fui à escolhida entre muitas pessoas, pois
você poderia escolher entre: avós, tias, primas, irmã já que a família é
grande, mas não, você escolheu alguém que não tem o seu sangue e tem pouco
tempo na sua vida e que foi entrando despretensiosamente, confesso que fiquei surpresa,
porém lisonjeada, logo convite veio de onde eu mesmo esperava.
Esse convite me fez entender o quanto você me quer bem e nos
fez ficar próximas e mais ainda me ensinou tanto, pois você me deu a
experiência de ser mãe postiça: dou conselho, arrumo seu cabelo, levo pra sair,
ligo quando tenho saudade, a gente se diverte e se precisar dou bronca também.
Pensando bem, ao escrever essa carta que me pediu, me
coloquei a pensar sobre o papel do padrinho de crisma. Ao meu entender o
padrinho de batismo teria a função de pai postiço ou mãe postiça e o padrinho
de crisma de orientação religiosa e ai vêm à pergunta: Será que estou cumprido
meu papel? Eu não leio a Bíblia com você e nem te levo a missa. Será que te
ensino a ser um bom cristão?
Toda essa reflexão, me fez lembrar uma história que ouvi nos
meus tempos de crismanda, faz tempo isso. Pois bem, voltando a história, essa
anedota dizia que um padre tinha muitos problemas com morcegos em sua paróquia
tinha feito de tudo para espantar esses bichos: deu veneno, bateu vassoura,
espantou e nada dava jeito. Desesperado, dividiu sua angústia com um padre que
visitava a região. O padre lhe deu a seguinte idéia: escreve num papel, a
palavra crismada e coloca nos pés dos morcegos e vê se dá certo.
O padre descrente e achando que o padre enlouquecera,
titubeou diante da ordem, mas resolveu seguir, pois não tinha outra opção mesmo.
Quando realizou a ordem , os morcegos partiram em debandada.O padre coçou a
cabeça e ficou muito frustrado , pois os morcegos nada mais fizeram que muitos
católicos que enchem os bancos da paróquia a espera de um sacramento como
obrigação e esquecem o motivo pelo o qual o fazem.
Participar de uma religião é um chamado, uma vocação, uma
escolha e a fé deve vir de ações, pois uma fé sem prática é uma fé morta.
Quando você me disse que estava pensando em fazer o Despertar, pois o Diko
havia te convidado, você recebeu o seu chamado, decidir fazer, foi a sua
escolha, e estar no encontro é a prática da sua fé. Nesse momento você se
difere dos demais, pois não fez da crisma um mero sacramento. E ainda ao me
pedir que escrevesse essa carta e eu ter aceitado o desafio, nesse momento
respondeu a minha pergunta: Eu estou sendo uma madrinha de verdade que pode te
incentivar a estar com Cristo e te apoiar quando você precisa.
Vivi, eu tenho muito orgulho de ser sua madrinha e poder
acompanhar o quanto cresceu como ser humano e poder fazer parte de suas
conquistas.
Beijos da Madrinha GI.