Aquele vinho
Era o ano de 2004, durante o inverno que castigava a cidade de Amsterdã, a vida de Erin seria marcada por vivências que carregaria por toda a vida,conheceria o significado do desejo , da conquista, da busca , do acaso e da espera.
Nos idos de julho daquele ano, Erin conhecera Berg, por intermédio de amigos próximos, e sentiu-se diferente perto daquele garoto de 20 anos, que tinha um sorriso largo, um bom coração, o melhor abraço do mundo, capaz de aconchegar qualquer pessoa e mandar todos os medos para longe. A convivência entre os dois se fazia aos poucos e o gosto pela leitura os unia, passam horas discutindo sobre os livros lidos, sobre a vida, sobre suas memórias.
Para Erin, amizade de Berg não bastava, ela o desejava como o animal faminto que espera o deslize da presa para que o banquete se faça. O desejo da moça instaurava uma situação desesperadora, pois precisava tê-lo em seus braços, mas não sabia como e ainda o tempo urgia, em dezembro, estaria de volta a Londres, pois seu curso de cultivo de tulipas estaria acabado.
O encontro com Berg significava ir ao céu e ao inferno ao mesmo tempo, pois vê-lo e estar ao seu lado seria uma alegria, um imenso prazer, já que sua companhia era agradabilíssima, no entanto, a cada palavra proferida por ele, Erin ouvia e sorvia como se fosse néctar dos deuses, sentia vontade de pular em seu pescoço, beijar-lhe e ser mulher em seus braços. Não havia nenhum sinal concreto do interesse de Berg e Erin estava atada ,porém não derrotada.
Iolaus, amigo fiel de Erin, era testemunha do desespero de Erin por Berg, muitas vezes a ouviu lamentar sobre a indiferença de Berg, nada do que fazia chamava a atenção dele. Erin já havia chamado pra jantar,ele não aparecera, ligara muitas vezes e ele não atendia no ultimo mês. Nos poucos encontros que tiveram nada sinalizava para que aquela situação mudasse. Iolaus tentava acalmar Erin, lhe dando conselhos para que deixasse que o destino agisse, e ela agia de forma totalmente oposta ao que ele dizia e reclamava ao amigo que nada daria certo.
Iolaus perde a paciência com Erin e indaga o motivo pelo qual ela pede conselhos a eles sobre homens e faz o contrário, nada dará certo mesmo. Erin se espanta com a franqueza do amigo, pois nunca a tratara assim e seus olhos enchem-se de lágrimas.Iolaus , sentindo-se culpado por magoar amiga, tenta amenizar a situação e dá seu ultimo conselho a Erin.
-Erin, não chore meu anjo, eu não suporto ver mulher chorando.
-Antes de tomar qualquer decisão, me escute:
-Lembra daquela frase dita a personagem pela suposta mulher de Fellini no filme Sobre o sol de Toscana?
-Não, respondeu Erin.
- Ela dizia: Quando eu era pequena, ficava procurando por joaninhas no jardim... Até que finalmente adormecia. Quando acordavam elas estavam em cima de mim!"
-Na sua situação, não o procure , deixe o destino agir.
Erin saiu da casa de Iolaus, sentindo-se derrotada e decidiu esquecer Berg, pois ele não seria seu mesmo. Concentrou-se em seu curso , sua mudança de volta para a Inglaterra.
O inverno foi chegando, a neve mudava a paisagem, Amsterdã adquiria ares de melancolia, não era a cidade que estava saudosa, era Erin que protelava assumir a si, o fim de sua estada em terras holandesas, aprendeu muito durante o ano de 2004, conseguiu viver sozinha, fazer amigos, a sentir saudade, a lidar com a frustração por não ter o que queria.
Há um mês não tinha notícias Berg, seu tempo estava acabando, resolveu tentar pela ultima vez, queria vê-lo, se despedir, mandou-lhe um email dizendo no dia 23 de dezembro seria sua ultima noite naquele lugar e gostaria de se despedir. A moça acabou de enviar o email, sem muitas esperanças de retorno da parte dele, mas gostaria de comunicar-lhe a partida como um desencargo de consciência .
Para sua surpresa, o telefone de Erin toca e era Berg dizendo que passaria em sua casa para despedir-se dela, a moça não dá muito crédito ao telefonema e nem se enche de expectativa em relação a essa visita, pois Berg poderia deixá-la esperando mais uma vez.
Erin resolve tornar o momento de sua partida mais agradável e convida alguns amigos para dividir com ela um excelente bolo de chocolate logo mais a noite. Envolvida com seus sentimentos e divagando ao executar a receita, mal ouve a campanhia tocar, o som faz com que saia de seus devaneios e vá atender a porta, pois quem estará atrás dela, tem pressa de entrar já que a aperta insistentemente.
Ao abrir a porta, se espanta com a presença de Berg e este a recebe com o abraço caloroso de sempre e o sorriso sincero, ela pede para entrar e ficar a vontade, pois está fazendo um bolo. Berg passa a observar a destreza da moça com o fogão e admira o seu jeito de cozinhar , a moça também observa Berg e o vê diferente,atento a cada movimento dela como se degustasse cada momento de sua companhia.Erin coloca o bolo para assar e Berg pede para lamber a vasilha que guardava a massa, ela acha esse gesto uma graça e deixa Berg ainda mais bonito, pois seu semblante agora é de um menino que ganha um brinquedo no natal e se delicia com ele.
Berg nesse momento se despede de Erin e diz que volta mais tarde, a moça aceita seus dizeres com descrença, no fundo sabia que mais uma vez ele a deixaria de lado. A noite chega e os amigos de Erin enchem a casa para desfrutar da última noite da amiga em Amsterdã e se desmancham em elogios para o bolo de Erin.Ás dez horas, eles se despedem e Erin se prepara para dormir, quando seu telefone toca:
-Erin, abre a porta, sou eu Berg, trouxe uma surpresa para você.
Erin fica feliz com a volta de Berg, pois realmente queria se despedir dele, nem que fosse como amiga, já que era esse lugar que Berg lhe reservara. Ao abrir a porta se depara com Berg e uma garrafa de vinho e o pede para entrar, pois fazia frio lá fora.
Erin achou gentil e cuidadoso o gesto de Berg e adorou fechar a noite com uma companhia agradável e uma garrafa de um bom vinho, acreditava não precisaria de mais nada naquela noite para ser feliz. Pobre Erin, mal sabia as peripécias que o travesso destino aprontaria para aquele homem e aquela mulher.
Aquele vinho proporcionou aos dois, momentos de riso, lágrimas e saudades. Conversavam alegremente, falavam da vida, do que Erin tinha vivido naquele lugar e a esperança em retornar a velha vida em Londres como florista, mas de alma nova. Berg olhava Erin e apenas ouvia os dizerem da moça atentamente, nesse momento, serviu mais vinho aos dois e Erin dizia que esse copo seria o ultimo, pois o vinho já a deixara sonolenta .
A conversa entre os dois foi cessando até acabar em silêncio e Berg olha no fundo dos olhos de Erin com se a desnudasse sua alma, Erin se acha com essa atitude dele e o abraça para que este não veja sua timidez.
Berg diz:
-Psiu, olha para mim, não precisa esconder.
Erin olha e Berg a beija com paixão com fúria levanta os dois da mesa onde estava e conduz a moça para a parede mais próxima e a espreme com seus beijos, ali homem e mulher se entregam aos desejos que há muito estavam escondidos. Erin o convida para ir ao seu quarto.
Naquele quarto apenas havia um colchonete e uma mala, foi apenas o que restou da mudança, pois o restante já tinha sido levado para Londres, esse detalhe não foi empecilho para aqueles dois amantes que tinha pressa em estar um nos braços do outro, se ajeitaram naquele colchonete de solteiro se tornaram um, não se importavam com a falta de conforto e nem com o chão frio, pois o calor dos corpos e a luxuria compensavam todo o resto.
Berg se revelara um hábil amante, toca Erin como se conhecesse seus pontos fracos há muito tempo, tinha o toque perfeito para o seu corpo levando a moça ao delírio e a pedir que acabasse com aquela doce tortura, pois seu sexo pedia o dele com pressa.
Berg estava adorando essa situação, sua sedução e suas preliminares estavam fazendo efeito, pois o que mais o agradava era dar prazer a uma mulher e vê-la pedir por ele entre as suas pernas. Berg ainda a tortura mais um pouco, antes de ter aquela mulher maravilhosa.
Mais uma vez Erin implora para que ele esteja em suas pernas, pois ela não agüentaria mais de vontade, agora sim Berg a atende prontamente. Parte para cima dela com vontade e com pressa, desejava aquela mulher há tempos, mas sua indecisão o impedia.
Erin sentia-se a mulher mais feliz do mundo com tudo aquilo que acontecia: Berg entre suas pernas a satisfazendo e Erin retribuía com gemidos cada vez mais fortes sem se importar com os vizinhos,suas unhas compridas arranham as costas de Berg e este mordia seu pescoço com fúria deixando marcas roxas.Aqueles corpos iam aumentando o ritmo como se quisessem tornar-se um, iam de encontro ao outro com muita pressa , pareciam dois animais em disputa, até que o silêncio se fez e os corpos inertes, respirando baixinho, encaixando na forma de concha, se curtindo , apenas sorriam, trocaram carinhos e beijos, as palavras eram totalmente dispensáveis nesse momento.Aos poucos foram adormecendo, Berg velou ainda um bom tempo o sono de Erin , sentia como se tivesse ganhado o grande prêmio da loteria, por ter aquela incrível mulher em seus braços e ter conseguido satisfazê-la.
O tempo parece que não passou para aqueles dois, mas o relógio soava seis horas da manhã, Erin acordou assustada e cambaleou para achar as suas roupas , pois estavam emaranhadas as de Berg.Olhou para o quarto e não vi-lhe, seu coração estava na boca, bateu o desespero então o chamou:
-Berg, onde você está ?
Berg grita do banheiro:
-Erin, estou no banheiro, venha aqui.
Erin chega ao banheiro e pode reparar melhor tórax de Berg, pois o vinho e penumbra da noite anterior, ofuscaram seus olhos diante daquele magnífico corpo. Berg a puxa para dentro do Box e a beija com carinho, lava seus cabelos, a esfrega , enche-a de mimos, Erin curte aquele cuidado, mas volta a realidade e diz:
-Berg, estou atrasada, meu vôo parte às 8 horas, se eu perder este , só vou conseguir outro em 2005.
-Erin não tem problema, assim você fica comigo mais tempo.
-Engraçadinho não é Berg, eu realmente preciso ir.
Berg ajuda Erin a chamar um táxi, a carregar a mala e a trancar uma etapa de sua vida, ao se despedirem, os dois estavam de coração apertado, mas sabiam que a noite anterior ficaria em suas melhores lembranças e nada mais, além disso.
O caminho percorrido de sua casa até o aeroporto, Erin sorria, fechava os olhos para lembrar aqueles momentos prazerosos.Ao entrar no avião, sentiu vontade de sair e cair nos braços de Berg novamente e viver para sempre em Londres como se fosse um conto de fadas com final feliz, mas não seria justo exigir isso dele , ele só tinha 20 anos e ela 36.





