terça-feira, 15 de novembro de 2011

Aquele vinho

Era o ano de 2004, durante o inverno que castigava a cidade de Amsterdã, a vida de Erin  seria marcada por vivências que carregaria por toda a vida,conheceria o significado do desejo , da conquista, da busca , do acaso e da espera.
Nos idos de julho daquele ano, Erin conhecera Berg, por intermédio de amigos próximos, e sentiu-se diferente perto daquele garoto de 20 anos, que tinha um sorriso largo, um bom coração, o melhor abraço do mundo, capaz de aconchegar qualquer pessoa e mandar todos os medos para longe. A convivência entre os dois se fazia aos poucos e o gosto pela leitura os unia, passam horas discutindo sobre os livros lidos, sobre a vida, sobre suas memórias.
Para Erin, amizade de Berg não bastava, ela o desejava como o animal faminto que espera o deslize da presa para que o banquete se faça. O desejo da moça instaurava uma situação desesperadora, pois precisava tê-lo em seus braços, mas não sabia como e ainda o tempo urgia, em dezembro, estaria de volta a Londres, pois seu curso de cultivo de tulipas estaria acabado.
O encontro com Berg significava ir ao céu e ao inferno ao mesmo tempo, pois vê-lo e estar ao seu lado seria uma alegria, um imenso prazer, já que sua companhia era agradabilíssima, no entanto, a cada palavra proferida por ele, Erin ouvia e sorvia como se fosse néctar dos deuses, sentia vontade de pular em seu pescoço, beijar-lhe e ser mulher em seus braços. Não havia nenhum sinal concreto do interesse de Berg e Erin  estava atada  ,porém não derrotada.
Iolaus, amigo fiel de Erin, era testemunha do desespero de Erin por Berg, muitas vezes a ouviu lamentar sobre a indiferença de Berg, nada do que fazia chamava a atenção dele. Erin já havia chamado pra jantar,ele não aparecera, ligara muitas vezes e ele não atendia no ultimo mês. Nos poucos encontros que tiveram nada sinalizava para que aquela situação mudasse. Iolaus tentava acalmar Erin, lhe dando conselhos para que deixasse que o destino agisse, e ela agia de forma totalmente oposta ao que ele dizia e reclamava ao amigo que nada daria certo.
Iolaus perde a paciência com Erin e indaga o motivo pelo qual ela pede conselhos a eles sobre homens e faz o contrário, nada dará certo mesmo. Erin se espanta com a franqueza do amigo, pois nunca a tratara assim e seus olhos enchem-se de lágrimas.Iolaus , sentindo-se culpado por magoar amiga, tenta amenizar a situação e dá seu ultimo conselho  a Erin.
-Erin, não chore meu anjo, eu não suporto ver mulher chorando.
-Antes de tomar qualquer decisão, me escute:
-Lembra daquela frase dita a personagem pela suposta mulher de Fellini no filme Sobre o sol de Toscana?
-Não, respondeu Erin.
            - Ela dizia: Quando eu era pequena, ficava procurando por joaninhas no jardim... Até que finalmente adormecia. Quando acordavam elas estavam em cima de mim!"
            -Na sua situação, não o procure , deixe o destino agir.
            Erin saiu da casa de Iolaus, sentindo-se derrotada e decidiu esquecer Berg, pois ele não seria seu mesmo. Concentrou-se em seu curso , sua mudança de volta para a Inglaterra.
            O inverno foi chegando, a neve mudava a paisagem, Amsterdã adquiria ares de melancolia, não era a cidade que estava saudosa, era Erin que protelava assumir a si, o fim de sua estada em terras holandesas, aprendeu muito durante o ano de 2004, conseguiu viver sozinha, fazer amigos, a sentir saudade, a lidar com a frustração por não ter o que queria.
            Há um mês não tinha notícias Berg, seu tempo estava acabando, resolveu tentar pela ultima vez, queria vê-lo, se despedir, mandou-lhe um email dizendo no dia 23 de dezembro seria sua ultima noite naquele lugar e gostaria de se despedir. A moça acabou de enviar o email, sem muitas esperanças de retorno da parte dele, mas gostaria de comunicar-lhe a partida como um desencargo  de consciência .
            Para sua surpresa, o telefone de Erin toca e era Berg dizendo que passaria em sua casa para despedir-se dela, a moça não dá muito crédito ao telefonema e nem se enche de expectativa em relação a essa visita, pois Berg poderia deixá-la esperando mais uma vez.
            Erin resolve tornar o momento de sua partida mais agradável e convida alguns amigos para dividir com ela um excelente bolo de chocolate logo mais a noite. Envolvida com seus sentimentos e divagando ao executar a receita, mal ouve a campanhia tocar, o som faz com que saia de seus devaneios e vá atender a porta, pois quem estará atrás dela, tem pressa de entrar já que a aperta insistentemente.
            Ao abrir a porta, se espanta com a presença de Berg e este a recebe com o abraço caloroso de sempre e o sorriso sincero, ela pede para entrar e ficar a vontade, pois está fazendo um bolo. Berg passa a observar a destreza da moça com o fogão e admira o seu jeito de cozinhar , a moça também observa Berg e o vê diferente,atento a cada movimento dela como se degustasse cada momento de sua companhia.Erin coloca o bolo para assar e Berg pede para lamber a vasilha que guardava a massa, ela acha esse gesto uma graça e  deixa  Berg ainda mais bonito, pois seu semblante agora é de um menino que  ganha um brinquedo no natal e se delicia com ele.
Berg nesse momento se despede de Erin e diz que volta mais tarde, a moça aceita seus dizeres com descrença, no fundo sabia que mais uma vez ele a deixaria de lado. A noite chega e os amigos de Erin enchem a casa para desfrutar da última noite da amiga  em Amsterdã e se desmancham em elogios  para o bolo de Erin.Ás dez horas, eles se despedem e Erin se prepara para dormir, quando seu telefone toca:
-Erin, abre a porta, sou eu Berg, trouxe uma surpresa para você.
Erin fica feliz com a volta de Berg, pois realmente queria se despedir dele, nem que fosse como amiga, já que era esse lugar que Berg lhe reservara. Ao abrir a porta se depara com Berg e uma garrafa de vinho e o pede para entrar, pois fazia frio lá fora.
            Erin achou gentil e cuidadoso o gesto de Berg e adorou fechar a noite com uma companhia agradável e uma garrafa de um bom vinho, acreditava não precisaria de mais nada naquela noite para ser feliz. Pobre Erin, mal sabia as peripécias que o travesso destino aprontaria para aquele homem e aquela mulher.
            Aquele vinho proporcionou aos dois, momentos de riso, lágrimas e saudades. Conversavam alegremente, falavam da vida, do que Erin tinha vivido naquele lugar e a esperança em retornar a velha vida em Londres como florista, mas de alma nova. Berg olhava Erin e apenas ouvia os dizerem da moça atentamente, nesse momento, serviu mais vinho aos dois e Erin dizia  que esse copo seria o ultimo, pois o vinho já a deixara sonolenta .
            A conversa entre os dois foi cessando até acabar em silêncio e Berg olha no fundo dos olhos de Erin com se a desnudasse sua alma, Erin se acha com essa atitude dele e o abraça para que este não veja sua timidez.
            Berg diz:
-Psiu, olha para mim, não precisa esconder.
Erin olha e Berg a beija com paixão com fúria levanta os dois da mesa onde estava e conduz a moça para a parede mais próxima e a espreme com seus beijos, ali homem e mulher se entregam aos desejos que há muito estavam escondidos. Erin o convida para ir ao seu quarto.
Naquele quarto apenas havia um colchonete e uma mala, foi apenas o que restou da mudança, pois o restante já tinha sido levado para Londres, esse detalhe não foi empecilho para aqueles dois amantes que tinha pressa em estar um nos braços do outro, se ajeitaram naquele colchonete de solteiro se tornaram um, não se importavam com a falta de conforto e nem com o chão frio, pois o calor dos corpos e a luxuria compensavam todo o resto.
Berg se revelara um hábil amante, toca Erin como se conhecesse seus pontos fracos há muito tempo, tinha o toque perfeito para o seu corpo levando a moça ao delírio e a pedir que acabasse com aquela doce tortura, pois seu sexo pedia o dele com pressa.
Berg estava adorando essa situação, sua sedução e suas preliminares estavam fazendo efeito, pois o que mais o agradava era dar prazer a uma mulher e vê-la pedir por ele entre as suas pernas. Berg ainda a tortura mais um pouco, antes de ter aquela mulher maravilhosa.
Mais uma vez Erin implora para que ele esteja em suas pernas, pois ela não agüentaria mais de vontade, agora sim Berg a atende prontamente. Parte para cima dela com vontade e com pressa, desejava aquela mulher há tempos, mas sua indecisão o impedia.
Erin sentia-se a mulher mais feliz do mundo com tudo aquilo que acontecia: Berg entre suas pernas a satisfazendo e Erin retribuía com gemidos cada vez mais fortes sem se importar com os vizinhos,suas unhas compridas arranham as costas de Berg e este mordia seu pescoço com fúria deixando marcas roxas.Aqueles corpos iam aumentando o ritmo como se quisessem tornar-se um, iam de encontro ao outro com muita pressa , pareciam dois animais em disputa, até que o silêncio se fez e os corpos inertes, respirando baixinho, encaixando na forma de concha, se curtindo , apenas sorriam, trocaram carinhos e beijos, as palavras eram totalmente dispensáveis nesse momento.Aos poucos foram adormecendo, Berg velou ainda um bom tempo o sono de Erin , sentia como se tivesse ganhado o grande prêmio da loteria, por ter aquela incrível mulher em seus braços e ter conseguido satisfazê-la.
O tempo parece que não passou para aqueles dois, mas o relógio soava seis horas da manhã, Erin acordou assustada e cambaleou para achar as suas roupas , pois estavam emaranhadas as de Berg.Olhou para o quarto e não vi-lhe, seu coração estava na boca, bateu o desespero então  o chamou:
-Berg, onde você está ?
Berg grita do banheiro:
-Erin, estou no banheiro, venha aqui.
Erin chega ao banheiro e pode reparar melhor tórax de Berg, pois o vinho e penumbra da noite anterior, ofuscaram seus olhos diante daquele magnífico corpo. Berg a puxa para dentro do Box  e a beija com carinho, lava seus cabelos, a esfrega , enche-a de mimos, Erin curte aquele cuidado, mas volta a realidade e diz:
-Berg,  estou atrasada, meu vôo parte às 8 horas, se eu perder este , só vou conseguir outro em 2005.
-Erin não tem problema, assim você fica comigo mais tempo.
-Engraçadinho não é Berg, eu realmente preciso ir.
Berg ajuda Erin a chamar um táxi, a carregar a mala e a trancar uma etapa de sua vida, ao se despedirem, os dois estavam de coração apertado, mas sabiam que a noite anterior ficaria em suas melhores lembranças e nada mais, além disso.
O caminho percorrido de sua casa até o aeroporto, Erin sorria, fechava os olhos para lembrar aqueles momentos prazerosos.Ao entrar no avião, sentiu vontade de sair e cair nos braços de Berg novamente e viver para sempre em Londres como se fosse um conto de fadas com final feliz, mas não seria justo exigir isso dele , ele só tinha 20 anos e ela 36.

SER MULHER

REVELE A DELÍCIA DE SER MULHER.
           

            Quando uma menina vem ao mundo, logo é classificada, é do sexo feminino, mas ser mulher vai muito além da biologia, de usar vestido, passar maquiagem, ser mulher implica atitude, gestos, sentir-se mulher.
            Tornar-se mulher é um processo duro, longo e belo ao mesmo tempo, a passagem de menina para moça com a chegada da menstruação, cheia medo, dúvidas, já que o corpo está pronto para maternidade, mas não ainda o coração. Sangrar todos os meses, ter horríveis cólicas tiram um pouco à beleza do momento, mas esse fenômeno faz com que as mulheres se cuidem mais, sobretudo, a tensão pré  menstrual é demais, pois  podemos chorar , ficarmos irritadas , comer chocolate , reunir as amigas, momentos assim  não tem preço na vida de uma mulher, e  nesses dias , os maridos , namorados e pais , nos tratam melhor , isso é  muito bom.
            Certo dia, em uma mesa de bar, aliás, o boteco é local onde as mais singelas verdades são ditas e as mais loucas teorias são formuladas, um professor dizia que admirava as mulheres por dois motivos: pela capacidade cicatrização, pois nos homens um corte vira um trauma irreversível, eu diria mais, a nossa capacidade de cicatrização vai além do físico, conseguimos cicatrizar nossa alma, perdoar por amor e estarmos prontas para outra, isso já não acontece com os homens, uma vez traídos, jamais se recuperam. Outro motivo de admiração de nosso professor pelas mulheres era generosidade , pois segundo ele, as grandes mulheres ficavam com homens medianos , mas grandes homens ficam  apenas com as super mulheres.
            Como manda a tradição na minha casa há sempre uma grande faxina de final de ano e acabei remexendo em caixas velhas e esquecidas no fundo do guarda-roupa e encontrei um cartão muito convidativo que retratava uma mulher com as mãos sobre o zíper e tinha os seguintes dizeres: revele a delícia de ser mulher. Aquela frase desnudava minha alma e abria minha mente , ao contrário das ultra feministas que viam a mulher como vítima , eu via que a  condição feminina como bela , única , rara e sem limite.Ser mulher significa , fortaleza e fragilidade ao mesmo tempo ,  ter sagacidade e  dissimulação, muitas vezes é preciso ser dissimulada para ganhar uma peleja. O escritor Machado de Assis ao criar sua memorável personagem Capitu com os olhos de ressaca tornando-os símbolos da dissimulação feminina conseguiu retratar os meios encontrados pelas mulheres para subverter a ordem estabelecida.
Alguém aí pode me apontar um ser que seja capaz de resolver muitos problemas ao mesmo tempo? E que diante da dor parto, consegue ver a beleza do nascimento?  Isso é uma dádiva dedicada às mulheres, pois se a capacidade de gerar filhos tivesse sido dada aos homens, a humanidade estaria extinta, logo eles arrumariam um jeito muito prático de não ter filhos, ao sentirem a dor do parto, eu tenho certeza se o mundo fosse todo masculino, seria simples, quadrado e previsível.
            Algumas vezes me pego pensando que a vida seria injusta quando deu a força física a seres de ego tão frágil: os homens. No entanto, chego à conclusão que tudo está no seu devido lugar, pois se a força foi dada a eles, a nós foi dada a capacidade de caminhar nos bastidores, sermos o pescoço que controla a cabeça, que a vira para onde deseja.
            Se pudesse renascer das cinza como a fênix por mil vezes, nas mil vezes eu seria mulher, contudo, não há preço que pague a delícia de ser mulher.



terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Conto

A VIDA É AGORA

            Luísa, mulher batalhadora, filha dedicada ,26 anos, e ruiva, simplesmente ruiva, inteligente, forte, linda, bem sucedida, uma vida que qualquer pessoa gostaria de ter, família estável, emprego estável bem remunerado e casa própria, parece uma vidinha perfeita, mas realmente não é. Luísa ao contrário das outras pessoas tinha regras próprias.Para entendê-la era preciso de um manual, seu cérebro sempre tinha resposta para tudo e muitas  teorias quando o assunto fosse os homens.Para ela o amor era racional como dois mais dois eram quatro, mas era só fachada para não assumir seu lado doce e romântico, pois tinha muito medo de ser magoada, sempre jogava na defensiva, era seletiva e tinha pavor de relacionamentos mais longos, isso, significava a perda de sua doce e azul liberdade.

            Luísa preferia paixões avassaladoras daquelas que ferem o peito e derramam lágrimas, gostava quando seu sangue fervia por alguém, pois a palavra de ordem em sua vida era: paixão, tinha um dizer tatuado em seu ante braço: enquanto durar a paixão que dure a vida .Tivera inúmeras paixões desde cedo , aos 6 anos tivera sua  primeira paixão e já deixava sua marca de pessoa  bem resolvida que não se submeteria a vontade de outros, não aceitara que seu namoradinho de escola somente a beijasse no rosto sem que esta retribuísse , ela queria igualdade sempre.
            As paixões sempre acompanharam Luísa desde a platônica, até as avassaladoras, dizia que a vida era curta e enquanto não achava o cara certo se divertia com errados, sua vida amorosa se assemelhara àquela música de Martinho da Vila: Já tive mulheres de todas as cores de várias idades de muitos amores, do tipo acanhado do tipo vivido, era a versão feminina dessa música, pois tiveram muitos homens, amou e foi amada, machucou e teve seu coração machucado, é impulsiva, morre de amores hoje e amanhã nem se lembra da paixão anterior. Cada homem que passou pela sua vida fora incrivelmente diferente , beijos e carícias feitos tantas vezes , a cada caso , cada namorado era como se fosse a primeira vez.Mas de  casamento ela passava longe .
            Tinha um currículo amoroso extenso, se envolveu com os mais distintos homens desde: alto, baixo, magro, gordo, mais velho, mais novo, branco, negro, como dizia que amar alguém dever ser desprovido de preconceito, todo mundo tem algo de bom para oferecer, Luísa era tipo de mulher que pagava ver o que outro tinha a oferecer, seu maior defeito era se entregar de verdade, sem medo de feliz , mesmo que depois ficasse com arrependimento e ódio de si mesma, mas enfiava o pé na jaca. Seu  currículo amoroso fez com que Luísa aprendesse muito sobre o mundo dos homens , dominava temas como : carros, computadores , astrofísica, filosofia e sacanagem .Além de aprender   como torturar um homem na cama, satisfazê-lo, fazê-lo se apaixonar, mas seu coração cigano a fazia correr antes de estabelecer acampamento na vida de alguém.
            Embora seu coração fosse uma montanha russa de emoções, andava estranha, pensava em tudo que vivera até ali , pensava nos amores que tivera , avaliou os que valeram à pena e o que queria da vida a partir dali, estava num espírito de natal e de ano novo antecipado e  fazendo planos, embora grande parte de seus projetos já se realizaram ou estavam a caminho, o que sonhar agora?Luísa tinha um projeto incluso: uma relação estável que durasse mais de cinco meses era seu objetivo para hoje.
            Luísa odiava esse estado introspectivo , saiu de casa, pois não agüentava estar consigo, caminhou sem rumo certo pelas ruas das cidades ao entardecer, sentia o vento bater em suas madeixas ruivas, para ela isso era sinônimo de liberdade e de vida, sair simplesmente sem lenço sem documento, desprender-se das obrigações do cotidiano, ser ela mesma.
            Até que avistou  um vendedor de água de coco que a conhecia do trabalho que lhe oferece uma água de coco, Luísa agradece e diz que esqueceu sua carteira, saiu sem rumo , ele diz que era cortesia, pois Luísa sempre o tratou com respeito e considerava como gente, independente da posição que ela ocupava, ou do valor de seu holerite. Luísa estava imensamente agradecida por aquela gentileza de João ,  pois a vida corrida não permitia certos prazeres cotidianos como conversar e beber água de coco , sentiu-se querida naquele momento , pois estava sentindo sozinha.Despediu -se de João e continuou a caminhar até sua  praça preferida e dirigiu-se ao sua árvore preferida desde menina e recostou- se para descansar , e foi supreeendida pela presença de Caio, um amigo de Faculdade cobiçado pelas mulheres , mas sempre sério e fiel a namorada, para desgosto do mulherio, estava lindo como sempre , incrivelmente cheiroso , não era só perfume que a atraía , mas exala testosterona, que enlouquecia Luísa.No primeiro momento, conversaram sobre suas carreiras , o que tinha feito após a faculdade , e Caio convida Luísa para um sorvete esta aceita , ele ajuda a levantar e propositadamente roça seu corpo no dela , modificando a expressão no rosto de Luísa que antes era de felicidade , agora era de indagação, como quem pergunta , o que você está fazendo?
            Caio fica sem jeito e resolve agir  e diz a Luísa que está solteiro que quer sair com ela, pois a deseja muito desde época da faculdade, pensa nela desde o último churrasco da turma em que ela estava incrivelmente linda, mas ele não podia dizer por que era comprometido, nesse momento Luísa explode de alegria, pois nem em seus sonhos mais remotos pensaria que Caio a desejasse ou que quisesse ficar com ela.
            Recobrando a consciência após essa revelação bombástica,  lembrava Caio de seu convite, este diz que tem uma idéia melhor.
            -Que tal um jantar só para nós agora na minha casa
          - Agora? Não posso, não tomei banho ainda, estou caminhando há horas, não dá para aceitar não.
           - Caio riu da preocupação boba de Luísa, então ofereceu para levá-la pra casa para trocar de roupa e depois jantar juntos na casa dele, pois ele iria mostrar seus dotes culinários para ela. Ao ouvir isso Luísa estremeceu por dentro nada mais excitante um homem que domina um fogão e além disso Caio era lindo e inteligente combinação perfeita aos olhos da Ruiva , já que pra ela cérebro é afrodisíaco.
            Rapidamente Caio chegava à Casa de Luísa, a moça fora a chuveiro e seu amigo a esperava no sofá, para ele o banho dela demorou horas, imaginava como seria estar em seus braços e não via à hora de despi-la, fazer amor, esperara tanto por isso. Luísa entrara no chuveiro, já ansiosa por terminá-lo, colocara uma roupa provocante , pois sabia que a noite prometeria , sentia que sua vida seria agora e não podia perder essa oportunidade, sentia-se a mulher mais desejada naquele momento, fez um make-up básico, mas bonito, não tinha muito tempo para isso queria estar nos braços de Caio.
            Ao chegar à sala, Caio arregala os olhos e exclama: UAU!
        ­­- Você sempre sai assim com outros caras?
         - Como eles não te pediram em casamento ainda?
         -Caio, não seja bobo, não fiz nada demais, são seus olhos.
        -Linda e modesta, como você consegue ser assim?
       -Lulu, Caio a chamava assim, você ainda fala francês?
        _ Sim, por quê?
        _Te ouvir falar francês me excita.
        _Você ainda é um bom ouvinte de francês, traduz de ouvido?
        __ Claro.
        - Voulez vous coucher moi ce soir?
        - Ora minha ruiva, capciosa como sempre, é preciso de manual, ler nas entrelinhas
Caio parte para cima de Luísa a beija com pressa como se mundo acabasse naquele instante, em pouco tempo suas mãos deslizavam pelo corpo esguio da ruiva, juntou seu corpo ao dela e caminhavam como se fossem um em direção à parede mais próxima, Caio a coloca de frente a parede e a prende com seu corpo a dominando, beijava seu pescoço, mordia suas orelhas, repetia incansavelmente o quanto aquela mulher era gostosa.
            Luísa sentia seu corpo quente e feliz por dentro, pois estava excitada pelas palavras de Caio, sentia-se desejada, rapidamente invertera os papéis no jogo da sedução. Virara de frente para ele e ordenava agora é minha vez. Deitou seu homem em seu tapete felpudo vermelho e propôs brincadeira em que regra seria se me tocasse faria tudo o que eu quiser e não me tocar pode pedir o que você quiser. Caio concordava ,mas sabia que seria um trabalho de Hércules não tocá-la  com  desejo a flor da pele.
Luísa sabia como enlouquecer um homem somente com as preliminares e ir embora logo depois, isso lhe rendera um apelido de Viúva Negra, pois atraía os homens para matá-los de desejo e de raiva.A principio dirigiu ao aparelho de som e colocou seu Cd preferido da Norah Jones  aos poucos se despia primeiro desamarrava os cabelos e balançava , tirava a sandália uma a uma  olhando para Caio percebendo sua expressão de admiração , desamarrou vestido frente única e deixou cair , revelando a calcinha vermelha fio dental que escolhera a dedo para esta noite.

Caio se mostra louco de desejo, Luísa eleva o dedo à boca e pede para ele ficar quieto, pois quem manda é ela. O moço fica confuso, pois não espera essa atitude dela. Luísa corre pro quarto e pega um lenço, coloca Caio sentado em uma cadeira e amarra os pulsos de forma leve, senta e seu colo e sussurro em seu ouvido, eu vou te vencer, você não é capaz de não me tocar. Caio sente raiva e tesão ao mesmo tempo , mas quer ganhar da ruiva a qualquer custo.Ela beija  o rapaz
 com volúpia morde sua orelha e tira sua calça e se depara com uma cueca linda e um membro cheio de desejo , retira sua cueca com os dentes e olhando para seu parceiro.Luisa se delicia com a expressão de desespero de Caio de não poder tocá-la e acabar logo com sua tortura ,logo, volta a sentar em seu colo aumenta velocidade simulando o coito , Caio não agüenta mais , e diz eu desisto , agarrou Luísa pela bunda , morde seu pescoço e ombro e chupa seus seios , Luisa entra em transe, mas logo retoma os sentidos e diz:
            ­- Você perdeu e quem comanda sou eu, só para lembrar eu fui convidada pra jantar e estou com fome.
          -Puta que pariu Lu, vai quebrar todo o clima agora , mas está bem , eu  faço o que você quiser , vai.
   Os dois se dirigiram ao carro, a bela estava satisfeita com o efeito de sua preliminar, pois seu amante a desejava muito, sabia apenas pelo olhar dele. No entanto, Caio estava preocupado , pois  se assustara com tudo que presenciara , pois não era menina Lulu que conhecia , era a mulher Luísa e percebeu que esta mulher sabia muito bem o que queria e era dona de suas vontades , e queria superar suas expectativas , e que teria que dar o melhor de si , logo estava frente de uma mulher exigente.
            Chegaram à casa de Caio e o moço se dirige a cozinha, coloca o avental e prepara o prato de Luísa: macarrão à bolonhesa, mas antes , abre uma garrafa de vinho tinto e Luísa saboreia o vinho sentada perto de um balcão e observa Caio cozinhando , achava a desenvoltura dele excitante , cada movimento era motivo para suspirar por dentro.Será que era paixão ou encantamento ? Luísa não sabia, só queria ser dele esta noite, queria sentir o sangue correr mais forte nas veias, ser bem tratada entre as pernas de Caio, se sentir desejada, pois a ruiva não se importava em ser amada, mas ser desejada alimentava sua alma.
            Caio vendo a moça ali absorta em seus pensamentos, pergunta-lhe:
     - Meu furacão, o que passa nessa mente ardilosa, está tão envolvida pensando que nem olha pra mim ?
- Caio, já fui chamada de muita coisa, agora furacão é a primeira vez, mas gostei.
-Aliás, como ganhei a aposta que o senhor não foi páreo para mim, estou pensando no que fazer com você
-Lu, eu não perdi , eu deixei você ganhar para ver até onde iria , quero pagar para ver.
-Meu caro, o céu é o limite para mim.
-Nossa, vou começar a ficar preocupado com esse furacão, vai me trucidar então.
-Nada disso, nunca faço nada contra vontade nem minha nem de outros, só não espere fazer amor comigo, hoje eu realmente quero transar, com direito a tapa na bunda, mordida sacanagem ao pé do ouvido e pegada forte.
- O que fizeram com você? Não conheço essa pessoa que se prosta a minha frente.
- Tá com medinho é, você alguém dona de suas vontades e desejos, bem resolvida e que não aceita sexo meia boca, no mínimo um sexo bom e prazeroso, sou exigente.
-Se quiser desistir a hora é agora
- Eu não desistiria de você nem a beira da morte.
Caio termina o jantar, põe a mesa, serve Luísa e serve-se, saboreiam o prato e a ruiva é só elogios ao prato do moço, conversam amenidades cheios de sorrisos, diante do elogio da moça; Caio acalma o coração, está fazendo  Luísa baixar a guarda , pois a pedreira seria dura.Luísa se prontifica a lavar a louça , já que Caio cozinhou . O moço não para de olhar o vestido dela e fica apreensivo sobre o que aconteceria a partir dali. Enquanto Luísa lava a louça , Caio de aproxima beija seu pescoço , acaricia seus seios e seu sexo ,sua parceira desliga a torneira , e ele a senta sobre a pia molhada e agarra com força e beija com vontade , morde seus lábios e orelhas , Luísa geme ,logo Caio aperta sua bunda , a moça desmonta e não age mais de forma consciente.
         - Caio pergunta: qual será a minha missão hoje, pois sou o vencido do jogo?
          -Luísa responde: Dar-me prazer de todas as formas possíveis, quero sair daqui sem forças, de perna mole e satisfeita.

            Caio a carrega para o sofá a beija com pressa, passeia as mãos pelo corpo dela , que há muito desejava , curtia cada pedaço como se fossem os últimos, desamarra o vestido com calma, vê os seios, mas lindos que já vira até ali surgir, logo se dirigiu a eles como se fossem frutas maduras, se deliciava com eles, sorvia, e Luísa gemia coisas desconexas, pois carinho nos seios lhe deixava desnorteada, apertava com cabelos de Caio com força devido à excitação.
            Luísa inverte a situação, fica por cima de Caio e retira suas roupas devagar , olhando para ele com desejo e sorria , percorria seu corpo com beijos: orelhas, bocas, peito, barriga, virilha, pernas, coxas e pés, deixavam a cereja do bolo para o fim, o membro e que membro pensava Luísa, o meu número simplesmente médio nem grande nem pequeno demais, grossura ideal, sabia que a diversão era garantida. Tomou o membro com vontade , fechou os olhos e se deliciava com aquilo, lambia cada pedacinho como uma manga madura , começa pelos testículos , subia  pela extensão e alojava sua língua na cabeça , fazia sua língua trabalhar , lambia de maneira safada , mordia de leve e masturbava o parceiro e alternava entre a cabeça e os testículos, mas a mãos também trabalhava.



Caio  se contorcia de prazer e amava aquilo, seu furação realmente sabia como chupar um homem  . Se continuasse assim iria gozar e acabar com festa antes de começar, tinha uma missão satisfazer a parceira de todo jeito.  Caio diz a ruiva para parar, pois tinha um presente para ela, a contragosto.
            Caio a pega no colo e se dirige a cama, a deita e retira sua calcinha com os dentes e vê como sua parceira está excitadíssima  ,não perde tempo , acomoda entre suas pernas e coloca um travesseiro nas costas de Luísa para facilitar a diversão. Acaricia o clitóris com a língua , Luísa se contorce, Caio o beija , morde ,chupa , enquanto seus dedos a penetram , a garota rebola , geme , implora que ele não pare, o moço a atende prontamente e aumenta a pressão e Luísa se descontrola grita e goza muito chegando a molhar muito o lençol .Respira descompassada e aos poucos volta ao normal , Caio assiste tudo aqui aquilo perplexo, não era possível uma mulher ser tudo aquilo, chupava bem , gozava gostoso apenas com dedos , imagine em cima de pau.Luísa pega Caio observando com cara de bobo e pergunta o que foi ? Ele responde que não errou ao chamá-la de furacão.
            Luísa se coloca em cima de Caio e se esfrega sobre ele e o beija sem pressa, Caio atiça a parceira brincando com seu membro em sua vulva, Luísa se levanta vai até a sala e Caio fica sem entender, pega um preservativo, ao voltar, o moço olha pra ela com admiração, realmente tinha uma mulher dona de si e de seu prazer, alheia ao julgamento dos outros. Caio coloca o preservativo, deita sobre ela e penetra bem devagar , num vai e vem despretensioso , quer sentir cada pedaço daquela super mulher , Luísa curte o momento embora não seja sua posição preferida.
            Caio aumenta o ritmo e Luísa geme, pede mais força, o moço atende em seguida a bela pede a ele que faça o que ela pedir e do jeito que ela pedir. Caio diz seu desejo e uma ordem.
   -Me penetre por trás e na parede, quero dizeres obscenos ao pé do ouvido.
 - Caio atende seu pedido coloca na parede, penetra com força e bem rápido, com a mão esquerda acaricia o seio e a direita o clitóris dela, morde sua orelha e diz.
- Tá gostando safada, você não vai ter sossego hoje, quero ver você esfoladinha, rebola pro teu macho, assim gostoso.
-Você é pior que mulher de malandro, merece umas tapas.
Caio bate na bunda dela com vigor deixando marcas e Luísa cada vez mais fica excitada, pede pra bater mais e comer com força. Gemia muito, dizia a ele, como o pau dele era gostosa, era pra foder com força, comer gostoso. Caio ardia de tesão e mais cedo ou mais tarde iria gozar , mais uma vez a moça ordena para aumentar o ritmo e tem orgasmos múltiplos e mais uma vez molha o chão .Caio ainda não gozou , mas não ia demorar muito .Luísa pede que ele goze em sua boca .Esse pedido soou como uma sinfonia aos ouvidos dele , ao sentir a língua da ruiva aumentou o ritmo e gozou como nunca , Luisa sorvia o gozo com gosto se deliciava com o sabor de Caio , sentia coisas inexplicáveis, seu gozo se transforma num néctar dos deuses para ela , jamais experimentava algo tão bom assim.
            Os dois caem na cama, cansados e suados, rumam ao chuveiro e curtem um o corpo do outro ensaboando , se beijando , parecendo o casal mais apaixonado do mundo. Luísa veste uma camiseta de Caio e se sente parte dele, seu cheiro a inebriava e naquele momento só queria dormir entre seus braços e assim o fez. Caio demorava a pegar no sono, pois não acreditara no que vivera naquela alcova, simplesmente tinha a mulher dos seus sonhos ali: linda, bem resolvida profissionalmente e sexualmente que mais ele queria e sabia como tratar um homem. Caio pega no sono e antes que acorde , Luísa já deixou sua casa , mais rápido que um rastilho de pólvora. Deixando um simples bilhete:
         Caio, não tenho palavras para falar sobre ontem. A missão foi cumprida e meu prêmio foi dado.Preciso ir e espero que esta noite fique em suas melhores lembranças ,pois foi única e será única . Peço que não me procure, pois meu coração é cigano e não suportaria te magoar, pois sei que mais cedo ou mais tarde eu voaria para outros ninhos.
                                                                                              Beijos de seu Furacão.
Caio ao ler o bilhete foi ao chão e chorou como criança, encontrou a mulher da sua vida que sempre desejara e ela lhe escapa entre os vãos dos dedos. Sabia que mataria Luísa se a pedisse em casamento ou namoro , pois era uma mulher livre e não se encaixava em amarras sociais , colocá-la nesses lugares seria perder a mulher que amava e sepultar sua felicidade.
Não havia muito que fazer, pois a paixão invadir o peito e Luísa tomara conta de seu ser, e nunca mais a viu, mas buscou em outras mulheres tudo o que se parecia com o furacão ruivo.