
Amanda era uma pequena, de jeito
espevitado, de sorriso franco que sempre tinha uma novidade para contar,
baixinha de quadril largo e cabelos comprido e liso, um charme de mulher.
Amanda era macaca velha na arte da
conquista, sabia ganhar um homem com seu jeito meigo de ser, sua malandragem e
seus elogios de meia tigela que eram bem convincentes. Saíamos há duas semanas
apenas, e ao saber que eu era jornalista me pediu um texto em homenagem a ela e eu disse que
ela ainda não merecia, pois não havia ganhado meu coração, então é pra já quero
ver se na segunda feira não tem um texto sobre mim no jornal, nem que for nas
páginas policiais.
Ri
de toda aquela patacoada, mas Amanda falava sério, pulou em mim, beijava-me com
volúpia, luxuria, caminha pelo meu corpo como se soubesse todos os seus
segredos, fez de mim gato e sapato naquela cama e ainda abusou de mim até se
sentir exausta, deitou ao meu lado na cama e sorria lindamente, ali sabia que a
pequena estava satisfeita, pois sempre sorria depois do amor. Olhando
maravilhado para ela, percebi que seus olhos eram verdes, puxei para mais perto
com os braços.
E
perguntei-lhe:
- Seus olhos são verdes?
- Não, eles ficam verdes quando estou
muito feliz ou muito triste.
Retruquei:
- Qual o motivo dessa cor verde?
-
Felicidade.
Depois desse diálogo pós-coito,
percebi que encontrei alguém que precisava chamar de minha, naquela noite
Amanda, aquele furação de mulher, definitivamente roubou meu coração. Eu passei
a admirar aqueles olhos e fazer com que eles ficassem verdes todos os
dias.Finalmente Amanda saiu no jornal
naquela segunda feira com essa crônica que escrevo em sua homenagem.