Eu não sei em qual
ponto da educação das crianças, isso mudou, mas vejo na geração dos 20 e poucos
anos, que a palavra de ordem é diversão e trabalho não existe no vocabulário deles,
são a geração do sucesso antes de trabalho. Sonham em se tornar médicos, mas
não fazem o mínimo que é estudar, muitos deles nem tem vocação ou paixão para
medicina, engenharia, entretanto, querem apenas o status que eles acham irá dar
dinheiro e prestígio.
Caras mentes
juvenis, essas profissões têm remuneração melhor, entretanto, ela não vem sem
duas pecinhas importantes: trabalho e dedicação. Há uma frase atribuída a
Albert Einstein que o único lugar em que sucesso vem antes de trabalho é no
dicionário. Minha avó dizia que primeiro a obrigação depois o resto, essa frase
fez com que não só a mim mas a minha geração se tornassem pessoas responsáveis,
pois os pais nos criavam para o mundo do trabalho. Vejo para muitos jovens
primeiro vem o resto (redes sociais, whatsapps, amigos) e depois aquilo que realmente
importa a sua formação
É importante
lembrar que não é saudosismo o objetivo de reflexão, todavia, é pensar em quem
estamos formando para o futuro, pois não devemos deixar um mundo melhor para os
nossos filhos, mas filhos melhores para o mundo. O que será do futuro se temos
como representantes pessoas amantes da festa, do dinheiro fácil e de
profissionais sem dedicação. Acho que é hora de parar o mundo que eu quero
descer.
Lendo as páginas
policiais, vi alguém conhecido, preso por tráfico de drogas e ao ser interrogado
pela reportagem, por que ele tinha
entrado para o crime, ele alegava que o dinheiro era fácil. Nesse caso não há justificativa
social ou psicológica para a escolha, pois o indivíduo em questão vinha de
classe média, tinha família, não passou por necessidade financeira, tinha emprego,
aos olhos do moralismo, não havia razão para essa escolha.
Quero ir além
nessa questão, sua escolha pelo crime, nesse caso, advém do querer ser, da ostentação,
do dinheiro fácil e sem esforço. Este caso é fruto, como tanto outros, de uma
mentalidade alimentada pela mídia ,no tocante ,da aparência em vez da essência,
o ter vale mais que o ser, da desvalorização da educação presente na ideia de
que sem formação posso ter muito dinheiro se for bonito, músico ou jogador de
futebol. Crucificar a mídia pelos valores não resolve problema, pois as pessoas
devem ter o seu livre arbítrio e muitas delas usam dessa ferramenta para
comprar o padrão da mídia.
Além dos jovens,
os pais também entraram na onda do sucesso sem trabalho, querendo que as
crianças progridam sem fazer o dever de casa, pois vão deixando o ato de educar
para a escola, eu sei educar alguém é chato, dói e é trabalhoso, é preciso
falar inúmeras vezes, lutar todos os dias, dar o exemplo, ser o herói do seu
filho, despertar nele o sentimento de gratidão e admiração, fazê-lo sonhar ,
impor limites. É muito mais fácil deixar para escola que tem gente paga pra
isso ou o mundo que cuide.
Será preciso que o mundo crie suas instituições
sociais a sua moda para que essa grande engrenagem funcione? Acredito que o desafio é pensar em quais
estratégias enquanto seres humanos aplicaremos para formarmos filhos melhores
para o futuro. Os problemas não estão nas questões grandes, mas sim nos
detalhes que deixamos passar todos os dias.