domingo, 14 de junho de 2015

Eu não sou obrigada

Refletindo sobre o enorme marketing em torno do dia dos namorados e como isso afeta os solteiros percebi duas posições distintas: a primeira de rebeldia em que muitos afirmam que a solteirice é a melhor coisa que inventaram e a outra de tristeza e fracasso diante das propagandas românticas, dos filmes melosos da televisão. Para o segundo grupo qualquer demonstração de carinho pelos namorados se torna um tempestade e chegam a reclamar: precisa de toda essa melação?
Pensando em tudo isso, lembrei de uma amiga muita segura de si e amante de sua solteirice que passa imune aos apelos do dia dos namorados. Ela sempre usava esta frase: Eu não sou obrigada: a meia relação, a um sexo ruim e a submissão da minha vontade. Ela tinha muita razão nessa maneira de pensar; não se via como uma fracassada em relação aos relacionamentos pois a cada caso, rolo ou namoro vivia de forma leal consigo mesma, estava ali por vontade, por afeto, seu amor era uma concessão que ela dava aos outros por um tempo ou por quanto tempo ele merecesse.
Esse jeitão livre de ser sempre era alvo de críticas do círculo de amizade que frequentava. As mulheres sempre lhe diziam que ela precisava sossegar, pois não arrumaria marido, ficaria pra tia em fim e ela respondia com o sorriso mais iluminado do mundo: Não preciso de um namoro que não me complete , não desperte o melhor em mim, eu não sou obrigada a ficar com alguém por status social, eu fico com alguém que eu curto, que a putaria seja muito boa e a gente seja parceiro.
Esta mulher é um exemplar raro, segura de si dita suas próprias regras em relação a vida, ao corpo e se torna todo dia mais apaixonante e alvo de inveja de outras mulheres que se perguntam o que ela tem que eu não tenho? Por que ela troca de homem como troca de roupa? Eu só queria um pra namorar e na horta dela sempre chove?
Eu lhe digo o que ela tem: sinceridade com ela mesma, ela está aberta a conhecer o melhor das pessoas sem compromisso, ela espera que a história se desenrole sem o felizes para sempre, ela é do time vamos ver o que dá. Ela só faz sexo com quem tem vontade e quem ela está a vontade, ela é muito Leila Diniz: eu posso dar para quem eu quiser, mas não vai ser para qualquer um.

Ela não é santa nem puta, é gente como todo mundo que fica triste, que sorri, que tem Tpm, que tem amigos, gosta de bicho e de gente, tem brincos, tatuagens e que chora escondido no banheiro quando está magoada, que faz drama quando quer e precisa. Ela é gente como todo mundo a diferença está em se permitir, em se doar, em viver. Ela não se preocupa com o que vão dizer ou pensar dela, em cobrar do carinha um compromisso depois do sexo, de sair com o cara mais bonito da cidade. Ela só pensa em ser feliz, curtir a vida e gozar direitinho e regularmente. É pedir demais?

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