domingo, 25 de agosto de 2013

Aos teus olhos verdes


Amanda era uma pequena, de jeito espevitado, de sorriso franco que sempre tinha uma novidade para contar, baixinha de quadril largo e cabelos comprido e liso, um charme de mulher.
Amanda era macaca velha na arte da conquista, sabia ganhar um homem com seu jeito meigo de ser, sua malandragem e seus elogios de meia tigela que eram bem convincentes. Saíamos há duas semanas apenas, e ao saber que eu era jornalista me pediu  um texto em homenagem a ela e eu disse que ela ainda não merecia, pois não havia ganhado meu coração, então é pra já quero ver se na segunda feira não tem um texto sobre mim no jornal, nem que for nas páginas policiais.
                Ri de toda aquela patacoada, mas Amanda falava sério, pulou em mim, beijava-me com volúpia, luxuria, caminha pelo meu corpo como se soubesse todos os seus segredos, fez de mim gato e sapato naquela cama e ainda abusou de mim até se sentir exausta, deitou ao meu lado na cama e sorria lindamente, ali sabia que a pequena estava satisfeita, pois sempre sorria depois do amor. Olhando maravilhado para ela, percebi que seus olhos eram verdes, puxei para mais perto com os braços.
                E perguntei-lhe:
           - Seus olhos são verdes?
          - Não, eles ficam verdes quando estou muito feliz ou muito triste.
           Retruquei:
         - Qual o motivo dessa cor verde?
         -  Felicidade.

Depois desse diálogo pós-coito, percebi que encontrei alguém que precisava chamar de minha, naquela noite Amanda, aquele furação de mulher, definitivamente roubou meu coração. Eu passei a admirar aqueles olhos e fazer com que eles ficassem verdes todos os dias.Finalmente Amanda saiu no jornal  naquela segunda feira com essa crônica que escrevo em sua homenagem.

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