Em um ano
O que é um ano ?
São 365 ou 366 dias
em ano bissexto, são 12 meses , 52
semanas . Essa definição estaria na Wikipedia ou no Google talvez. Reformulando
a pergunta: O que seria um ano na vida de ser humano? Quanto tempo demoraria a
passar? Que mudanças ou permanências trariam.
Se fosse possível chegar a
uma resposta coerente para todas essas perguntas , tenho a certeza que essas
linhas se tornariam um tratado mais
vasto que humanidade produziu, superaria talvez a todo o acervo da humanidade
desde os tempos mais remotos.
O que eu como escritora
quero dizer com tudo isso? Seria um
tanto presunçoso ou irônico propor uma discussão sobre a essência do tempo,
pois os filósofos e historiadores já são especialistas nisto, não me cabe meter
meu bedelho, em terras de especialistas.No entanto pensar no tempo e como ele
transforma o homem , é o meu jeito de pensar a maturidade , a evolução pessoal e psicológica, praticar o
meu desapego, celebrar a vida.
Em um ano, nossas vidas mudaram tanto, eu creio que para
melhor, pois evoluímos como pessoas , como profissionais. Há um ano, eu tinha
em meus braços, um ser humano com o peito sangrando, um coração partido com
rancor que desejava punir o parceiro do relacionamento anterior pelo sofrimento
causado, pelos planos e sonhos desfeitos e sem força para se relacionar de
novo.
Eu tinha esse homem em meu braços que foi capaz de fazer
muito por mim, mesmo diante de sua fraqueza e dor , conseguiu fazer de mim alguém mais forte quando apenas
me deu aquilo que ele realmente podia: sua sinceridade, sua não promessa de
futuro e seu desejo.
Foi naquela alcova, que eu aprendi o que era ser mulher,
tive força para dizer o que pensava , expor meu desejo, soube real significado
da palavra química entre macho e fêmea.Eu me perguntava como eu podia retribuir
o bem que aquele homem me fez?
Conquistá-lo e fazer dele o homem mais feliz do mundo?
Confesso que pensei nisso por alguns instantes, mas não seria justo mantê-lo sob meu jugo sob o
status de namorado, ter posse sobre ele, pois ele não estava pronto para ser meu.
O que eu realmente poderia oferecer a ele? Meu sexo, não era
isso que ele precisava de verdade.Eu ofereci a ele meu colo, meu acalento,
demonstrei como tudo na vida tem um lado bom e a liberdade e autonomia de
pensar e agir ,não havia preço que pagasse isso .Ele deveria viver o momento da
solteirice plenamente , reorganizar o coração partido , arrumar a casa para que
outra mulher pudesse habitar.
Essa atitude me ensinou a ser altruísta, a não ter posse
sobre outros,me fez viver a experiência da essência do amor dotado de doação,
desapego.Já dizia Renato Russo em Monte Castelo: o amor é bom e não quer o mal
, não sente raiva ou se envaidece.
Eu me sinto realizada em ver quanto você mudou, amadureceu e
se recompôs para uma nova vida e que eu pude participar desse processo. Eu pude
retribuir o que você me proporcionou: gostar de alguém sem posse , me doar para
alguém que precisava , me ensinou que eu tinha potencial para ser uma mulher
desejada e eu aprendi a me curtir mais tornando me alguém melhor.
Em um ano, você se
reestruturou e eu ganhei um corpo novo , uma vida nova e nossa relação evoluiu
de amantes a amigos que se confidenciam e se aconselham, que dialogam sobre o
nosso passado, o seu e o meu presente e o futuro, a gente deixa para depois.

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