segunda-feira, 5 de março de 2012

Em um ano



Em um ano

O que é um ano ?

São 365 ou 366 dias em  ano bissexto, são 12 meses , 52 semanas . Essa definição estaria na Wikipedia ou no Google talvez. Reformulando a pergunta: O que seria um ano na vida de ser humano? Quanto tempo demoraria a passar? Que mudanças ou permanências trariam.

Se fosse possível chegar a uma resposta coerente para todas essas perguntas , tenho a certeza que essas linhas se tornariam um tratado  mais vasto que humanidade produziu, superaria talvez a todo o acervo da humanidade desde os tempos mais remotos.

O que eu como escritora quero dizer com tudo  isso? Seria um tanto presunçoso ou irônico propor uma discussão sobre a essência do tempo, pois os filósofos e historiadores já são especialistas nisto, não me cabe meter meu bedelho, em terras de especialistas.No entanto pensar no tempo e como ele transforma o homem , é o meu jeito de pensar a maturidade  , a evolução pessoal e psicológica, praticar o meu desapego, celebrar a vida.

Em um ano, nossas vidas mudaram tanto, eu creio que para melhor, pois evoluímos como pessoas , como profissionais. Há um ano, eu tinha em meus braços, um ser humano com o peito sangrando, um coração partido com rancor que desejava punir o parceiro do relacionamento anterior pelo sofrimento causado, pelos planos e sonhos desfeitos e sem força para se relacionar de novo.

Eu tinha esse homem em meu braços que foi capaz de fazer muito por mim, mesmo diante de sua fraqueza e dor , conseguiu  fazer de mim alguém mais forte quando apenas me deu aquilo que ele realmente podia: sua sinceridade, sua não promessa de futuro e seu desejo.

Foi naquela alcova, que eu aprendi o que era ser mulher, tive força para dizer o que pensava , expor meu desejo, soube real significado da palavra química entre macho e fêmea.Eu me perguntava como eu podia retribuir o bem que aquele homem me fez?

Conquistá-lo e fazer dele o homem mais feliz do mundo? Confesso que pensei nisso por alguns instantes, mas  não seria justo mantê-lo sob meu jugo sob o status de namorado, ter posse sobre ele, pois ele não  estava pronto para ser meu.

O que eu realmente poderia oferecer a ele? Meu sexo, não era isso que ele precisava de verdade.Eu ofereci a ele meu colo, meu acalento, demonstrei como tudo na vida tem um lado bom e a liberdade e autonomia de pensar e agir ,não havia preço que pagasse isso .Ele deveria viver o momento da solteirice plenamente , reorganizar o coração partido , arrumar a casa para que outra mulher pudesse habitar.

Essa atitude me ensinou a ser altruísta, a não ter posse sobre outros,me fez viver a experiência da essência do amor dotado de doação, desapego.Já dizia Renato Russo em Monte Castelo: o amor é bom e não quer o mal , não sente raiva ou se envaidece.

Eu me sinto realizada em ver quanto você mudou, amadureceu e se recompôs para uma nova vida e que eu pude participar desse processo. Eu pude retribuir o que você me proporcionou: gostar de alguém sem posse , me doar para alguém que precisava , me ensinou que eu tinha potencial para ser uma mulher desejada e eu aprendi a me curtir mais tornando me alguém melhor.

Em um ano, você  se reestruturou e eu ganhei um corpo novo , uma vida nova e nossa relação evoluiu de amantes a amigos que se confidenciam e se aconselham, que dialogam sobre o nosso passado, o seu e o meu presente e o futuro,  a gente deixa para depois.




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