O mundo não foi feito
para o diferente
Muitas vezes é preciso mudar o
foco de visão, perceber o mundo de outra forma para compreender como ele
realmente é, assim vemos como ele funciona e podemos consertar o que está
errado.Mudar de foco é difícil e para
isso precisamos do outro, do diferente, de uma situação atípica para darmos
importância aos detalhes que há muito vem passando despercebidos no cotidiano.
Exemplo disso é a situação do
canhoto, que todas às vezes têm que se adaptar ao mundo do destro. Tente ao
menos abrir uma lata de conserva com a mão esquerda e com um abridor de lata
para destro. Tente passar roupa com a mão esquerda. Tente cortar papel com a
tesoura para destro. Caro leitor, eu tentei ser canhota por um dia, e foi realmente
difícil. Essa experiência foi suscitada por uma conversa na faculdade, em meio
a jogo de futebol, com uma amiga que era canhota e ela me fez perceber o mundo
não foi feito para o diferente, pois a pessoa muito alta não encontra roupas
adequadas ao seu tamanho e seu lugar é relegado ao fim da fila, nem para o
baixo porque todas as prateleiras sempre estão fora de seu alcance. Nem para o
gordo, pois nada lhe cabe e nem para o magrinho que deve usar roupas de
crianças.
Quando existem produtos específicos para esses grupos,
sempre vem acompanhado de um preço caro e até inacessível. Ser diferente muitas
vezes implica acesso negado para muitas coisas, entre elas o direito de
escolha, pois não é qualquer roupa que pode ser usada e quando ela existe , há
um novo obstáculo, o poder aquisitivo.
Essa minha impressão sobre a
indiferença do mundo para o diferente, veio a se concretizar semana passada
quando vivi uma situação adversa, fui babá de um cadeirante por uma semana. Pois
bem, deixei-me explicar melhor, eu cuidava de um ente que sofrera um acidente e
ficara em uma cadeira de roda temporariamente.
Nesse episódio, percebi o quanto
a vida de um cadeirante é difícil, embora, muita coisa tenha mudado com a
legislação voltada para o deficiente, como a multiplicação de acessos nas
calçadas, as vagas de carro para deficientes, cadeiras de rodas em
estabelecimento comerciais.
Mas isso não basta, pois os
produtos de supermercados ainda estão no alto, o acesso a banheiros ainda é
precedido por escadas e mais ainda a falta de cidadania do brasileiro em
estacionar em vaga para deficiente e idoso, ela não é sua nem por um minuto. Elas
não foram colocadas por simples vaidade.
Algum cidadão já se perguntou
por que as vagas de deficientes são no canto?Não são privilégios, eles e os
familiares que auxiliam precisam realmente de espaço. E a vaga de idoso por que
ela também fica nas pontas dos estacionamentos? Pela mesma razão eles também
precisam de espaço e deve ficar próximos as portas , pois nem sempre a
mobilidade é a mesma que na juventude.
Facilitar o acesso é mais uma questão de humanidade do que de cidadania.
Experimente por uma semana ser
um cadeirante e veja você terá que se
adaptar ao mundo.Vista-se com uma roupa que pese 20 kg a mais que você e tente fazer o seu
trajeto normalmente, e ficar numa fila por mais de 30 minutos.Você verá como
seus músculos estarão cansados e sentirá o que é o peso da idade. A partir
dessas duas experiências te fará muito mais humano, pois ao se colocar no lugar
do outro, verá como a preferência ao idoso não luxo e sim necessidade.


Fato e qual ser humano não tem sua limitação natural, porem nunca soube lidar com ela!!
ResponderExcluirlindo!