segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Destoando um pouco da linhagem do blog, o texto a seguir é um protesto contra a falta de cidadania e de humanidade do brasileiro.

O mundo não foi feito para o diferente


Muitas vezes é preciso mudar o foco de visão, perceber o mundo de outra forma para compreender como ele realmente é, assim vemos como ele funciona e podemos consertar o que está errado.Mudar de foco  é difícil e para isso precisamos do outro, do diferente, de uma situação atípica para darmos importância aos detalhes que há muito vem passando despercebidos no cotidiano.

Exemplo disso é a situação do canhoto, que todas às vezes têm que se adaptar ao mundo do destro. Tente ao menos abrir uma lata de conserva com a mão esquerda e com um abridor de lata para destro. Tente passar roupa com a mão esquerda. Tente cortar papel com a tesoura para destro. Caro leitor, eu tentei ser canhota por um dia, e foi realmente difícil. Essa experiência foi suscitada por uma conversa na faculdade, em meio a jogo de futebol, com uma amiga que era canhota e ela me fez perceber o mundo não foi feito para o diferente, pois a pessoa muito alta não encontra roupas adequadas ao seu tamanho e seu lugar é relegado ao fim da fila, nem para o baixo porque todas as prateleiras sempre estão fora de seu alcance. Nem para o gordo, pois nada lhe cabe e nem para o magrinho que deve usar roupas de crianças.

Quando existem produtos específicos para esses grupos, sempre vem acompanhado de um preço caro e até inacessível. Ser diferente muitas vezes implica acesso negado para muitas coisas, entre elas o direito de escolha, pois não é qualquer roupa que pode ser usada e quando ela existe , há um novo obstáculo, o poder aquisitivo.

Essa minha impressão sobre a indiferença do mundo para o diferente, veio a se concretizar semana passada quando vivi uma situação adversa, fui babá de um cadeirante por uma semana. Pois bem, deixei-me explicar melhor, eu cuidava de um ente que sofrera um acidente e ficara em uma cadeira de roda temporariamente.

Nesse episódio, percebi o quanto a vida de um cadeirante é difícil, embora, muita coisa tenha mudado com a legislação voltada para o deficiente, como a multiplicação de acessos nas calçadas, as vagas de carro para deficientes, cadeiras de rodas em estabelecimento comerciais.

Mas isso não basta, pois os produtos de supermercados ainda estão no alto, o acesso a banheiros ainda é precedido por escadas e mais ainda a falta de cidadania do brasileiro em estacionar em vaga para deficiente e idoso, ela não é sua nem por um minuto. Elas não foram colocadas por simples vaidade.

Algum cidadão já se perguntou por que as vagas de deficientes são no canto?Não são privilégios, eles e os familiares que auxiliam precisam realmente de espaço. E a vaga de idoso por que ela também fica nas pontas dos estacionamentos? Pela mesma razão eles também precisam de espaço e deve ficar próximos as portas , pois nem sempre a mobilidade é a mesma  que na juventude. Facilitar o acesso é mais uma questão de humanidade do que de cidadania.




Experimente por uma semana ser um cadeirante  e veja você terá que se adaptar ao mundo.Vista-se com uma roupa que pese  20 kg a mais que você e tente fazer o seu trajeto normalmente, e ficar numa fila por mais de 30 minutos.Você verá como seus músculos estarão cansados e sentirá o que é o peso da idade. A partir dessas duas experiências te fará muito mais humano, pois ao se colocar no lugar do outro, verá como a preferência ao idoso não luxo e sim necessidade.





               

Um comentário:

  1. Fato e qual ser humano não tem sua limitação natural, porem nunca soube lidar com ela!!
    lindo!

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